Parte 1 Parte II
Após abrir a porta, seu olhar fora direcionado imediatamente ao centro do cômodo. Havia um pequeno trono, uma poltrona de pedra talhada direto do chão, como se a sala a muito tempo fosse uma grande jazida de obsidio e todo o minério foi retirado deixando apenas o teto, as paredes, o chão e um grande paralelepípedo de onde foi talhado aquele trono. Sentado naquele simples e imponente trono, havia uma armadura negra.
A armadura possuía traços aterradores, face em forma de um crânio humano, em volta de seu maxilar um par de chifres, um em cada lado, que saiam da testa do crânio e se espiralava por trás, oferecendo proteção as laterais. A armadura, primorosamente forjada, apresentava placas firmes e inteiras que se encaixavam de forma a garantir movimentos rápidos e precisos. Olhou novamente o elmo, observou os vãos nos quais haveriam de ter olhos e de lá apenas saiam dois filetes rubros, que escorriam até o chão.
Quando tirou os olhos da armadura conseguiu observar a sala na qual estava com mais atenção e cuidado e era igualmente aterrador a armadura. O chão estava submerso em sangue até a altura dos calcanhares enquanto a sua direita, a sua esquerda e atrás daquele trono existiam esqueletos. Milhares de esqueletos. Entre crânios humanos, animais, polimorfos e com um pouco de atenção se acharia até uma pequena quantidade de bestas infernais. Eles estavam amontoados até o teto, sobrando livre apenas, o espaço entre a porta e o trono.
Ao dar alguns passos em direção a armadura, notou que a mesma, apesar de não ter um corpo dentro, possuía uma arma. Uma grande arma de haste em sua mão esquerda, levantada, em posição de guarda, como se esperasse por alguém. Era uma bela arma de haste, forjada do mesmo metal que a armadura, porem em sua ponta existiam duas ferramentas de guerra. Em um lado reside um martelo de guerra, grande e imponente. Em sua superfície milhares de pequenas cavidades afiadas, sujo com sangue seco. Fora usado para esmagar algo há bastante tempo, mas talvez a vitima daquele ato esteja perdida em meio aquele revolto mar hemorrágico.
— Estou aqui.— Disse o Sublinder— Apareça!— Então os olhos antes vazios e negros, ganharam um tom vermelho, enquanto o sangue parava de escorrer. Aquele ser fitou o sublinder com seus olhos negros, penetrantes e implacáveis.
— Escolhestes a salvação.— A voz firme e grave— Desejas alcança-la através da redenção ou do recomeço-
— Desejo sair deste lugar, vim parar aqui por algum nó energético, e como você parece ser a unica coisa com alma nessa dimensão, então foi você que me chamou.
— Então não é um dos milhares de habitantes deste lug...— A armadura deteu seu tom de indagação e se calou subitamente, mastigando a informação. -Entendo agora porque não fui capaz de captar sua presença quando adentrou o meu lar.
— Busco entender o que caralhos está acontecendo aqui.- Disse o sublinder perdendo a paciência. Nesse momento, o cavaleiro girou seu machado de batalha e na outra face havia um grande e vil machado, completamente manchado de sangue, e então disse:
— Desconheço as vias que teu destino tomou mortal, todavia tudo que possuo a oferecer é a salvação através de minha haste. Se não é isso que procuras, podes dar a meia-volta.
— Meia-volta? Não há nada nem ninguém por essa estrada, todas as casas estão abandonadas e não há sequer um pedinte vagando— Fitou os crânios— E eu desconfio para onde todas essas pessoas podem ter ido.
— Aguarde um momento, forasteiro. — Os olhos se apagaram, mas o sangue não voltou a correr. O cavaleiro levantara-se e com seu martelo investiu contra o sangue. Estranhamente, o sangue não esguichara onde o martelo o acertou, mas uma onda de impacto correu toda a sala, inclusive pelo sublinder que teve uma sensação de frio na espinha que percorreu seu corpo inteiro, passou pela porta e foi até onde o horizonte permitia enxergar.
Após um pequeno intervalo de tempo, a onda voltou, a armadura sentou-se em sua posição inicial e os olhos retornaram para seu vão.—Vazio, de fato. Sou o único com corpo físico nessa dimensão. Parece que minha missão está cumprida forasteiro, tenho um palpite sobre seu destino. — Girou novamente sua haste de forma que o machado tomasse a frente, mostrando ao fundo do martelo o desenho de um rosto cortado pelo fio do machado, de um lado um rosto masculino e do outro um feminino. — Mas antes, meu caro carrasco, gostaria de saber o que você é, capaz de vir a este lugar mesmo vinculado a tua carne.
— Sou um sublinder,— disse um pouco consternado como aquele cavaleiro o chamou de carrasco, mas continuou— em resumo, sou um humano que pode virar espírito integralmente sem deixar de ser humano.
E então os olhos abertos recomeçaram o pranto hemorrágico, o cavaleiro pareceu não perceber, ou apenas não se importou, pois continuou a falar:
— Entendo. Explicarei o motivo para seu caminho cruzar o meu. Sou sim, um ser tão antigo quanto essa sala, as casas lá fora e essa montanha. Mas não tão antigo quanto a própria criação. Inclusive, não sou realmente tão imortal quanto aparento. A função a qual fui designado me concedeu resistência aos efeitos do tempo, e a armadura me protege das intempéries da fome, da guerra e de pragas. Então, apesar de ter existido por muito tempo, a minha função de salvar a todos deste lugar chegou ao fim, e tu fostes enviado para dar-me a salvação.
A respiração do sublinder se intensificou. A situação mudara completamente. Ele já havia feito todo tipo de trambicagem em sua vida noturna, desde sair sem pagar até dar uma surra em alguém, tudo para sobreviver a uma noite mais movimentada, mas nunca matou ninguém. Uma das vantagens de ser um sublinder é sentir o campo energético de quem está a sua volta, e pessoas que matam, não apenas humanos, mas animais de sangue quente em geral, tem uma energia mais pesada, não como um carma, onde o que você faz volta, mas algo pior, pois a energia que volta não é só da morte em si, mas de todas os seres que passam a sentir a falta do morto, e de todos que dependiam dele para evoluir.
O mundo energético é algo engraçado. Ele funciona de forma muito mais dinâmica e rápida que o físico, então todo o sentimento do Sublinder descrito anteriormente se expressou de forma extremamente clara em sua face, sua respiração, no deglute que foi resultado da salivação intensa, e o cavaleiro viu e então esclareceu:
—Não te preocupes, caro carrasco, tua tarefa não se reverterá de forma tão intensa para tua própria estrutura. Eu não represento valor cármico algum, pois todos que conheci nesta existência estão nessa sala. E a morte de todos eles não passará até tu, pois esta negra armadura fez este trabalho para mim, então só terá de lidar com a pequena carga que minha antiga existência representa, sendo esta tão antiga que não possuo mais memória alguma dela.
Apoiou a arma de haste em suas duas mãos, se levantou e a ofereceu. Só neste momento, o Sublinder se deu conta de que aquela era a única forma viável de sair de lá. Sempre há uma opção, mas a opção seria esperar sua alma desfalecer naquele mundo tendo como unica companhia um cavaleiro em uma armadura negra em uma sala ensanguentada e cheia de ex-moradores. Então pegou a arma em um momento súbito de coragem.
A arma lhe pareceu estranhamente leve, apesar de seu incrível tamanho e esplendorosa imponência, pôs-se a girar a arma com graça, como já fez muitas vezes com o metro em suas aulas de circo, talvez para relembrar a técnica ou talvez para reafirmar a ideia de que seguir em frente era a melhor saída, independentemente do que tivesse que ser feito. Logo perguntou ao cavaleiro:
— E então. Vai com machado ou com martelo?
— Essa é uma opção a qual eu não tenho o direito de escolher, apesar de poucas as consequências da minha morte, existe um preço a ser pago pelo uso desta arma, um preço que a armadura me impedia de pagar. Saiba que do pó viemos e ao pó retornaremos com o tempo, mas o martelo, o recomeço, é um atalho para este caminho, onde tudo que sei sobre mim será esquecido e arma absorverá parte de minha existência a transferirá a ti. Se tu escolheres tal método, é possível que saia deste local longevo.
— E o machado, o que acontece se eu cortar sua cabeça com ele?
— Se cortares minha cabeça com ele, buscarei a redenção, o preço a ser pago é maior pois separarás meu corpo de minha cabeça, descosturando todos os pecados que tive em vida, separando minha essência de tudo que é terreno. Já disse que não lembro de meus pecados e de minha vida, mas como já disse a escolha é tua.
Um minuto de semi-silêncio passou, apenas com o som da arma de haste rodando e cortando aquele vento estagnado. Os olhos do cavaleiro voltaram a se esconder, e o fluxo de sangue voltou a ficar forte. Considerou tudo que havia acontecido aquela noite e tudo que foi dito a ele. Ponderou sobre evolução, imortalidade, seus próprios medos, aquele que permanece a sua frente e uma vontade louca de voltar ao bar que iniciou sua noite para tomar mais uma cerveja gelada, dessa vez, a saideira.
— Cheguei a uma decisão.— Disse o sublinder, os olhos reapareceram, não mais controlando o fluxo de suas próprias lágrimas que escorriam em excesso.
— Então, o que eu mereço? O recomeço ou a redenção? —
O Sublinder botou a arma em direção as suas costas, e agilmente rompeu o golpe em direção a vitima, acertando em cheio seu coração.
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14 de março de 2014
20 de fevereiro de 2014
Um outro lado de um mesmo sábado - Parte #2
Oi galera!
Venho aqui hoje trazer-vos a segunda parte do conto do sábado a noite, pra quem não se lembra aqui está a parte #1. Uma boa leitura a todos.
Passar para o plano astral não era de fato tão ruim. Para alguém cujo o corpo físico e energético se misturam era especialmente perigoso, mas a sensação é maravilhosa. O corpo fica leve, a fome deixa de existir, os sentidos se aguçam e você passa a ser o que você pensa. A imaginação é um dos limites. Porem funcionava como uma noite regada a bebida, pois a noite é ótima, mas o dia seguinte é aquele que não se vive, mas sobrevive, e quase sempre não vale a pena.
Se estabilizou no plano astral, em uma encruzilhada como aquela primeira, mas o lugar era diferente. As casas com suas fachadas históricas estavam em cacos, algumas sem o segundo andar, outras apenas com buracos. Os postes não tinham luz e as luzes do céu não existiam naquele plano. Entre os costumeiros paralelepípedos tinham detalhes escarlates, como se o chão sob o pavimento fosse feito de rubi.
Algo o incomoda. O lugar é conhecido. Um lugar onde pessoas com um mesmo vicio ou tara eram encaminhados para ficar até desejarem voltar a evoluir. Mas o local estava vazio, eles não são conhecidos por sua incrível capacidade de ventilação, mas sim pelo crescente número de pessoas atreladas aos mesmos erros ao longo da própria existência. Lugares como aquele não são reaproveitados, apenas se criam mais para os novos tipos de erros.
Depois de cinco mil passos naquele lugar, noções de tempo e espaço como conhecemos no plano físico não se aplica ao mundo da energia, e o cansaço ganhou da impaciência do sublinder. Ganhou também um pouco de preocupação. Ficar muito tempo em um lugar daquela estirpe poderia deixa-lo ali para sempre. Precisava encontrar o quer que o estivesse prendendo ali. O chão continuava como sempre, paralelepípedos sobre tom escarlate, mas as casas foram sumindo gradativamente, e começaram a aparecer grandes pilares negros, logo o céu sem estrelas tornara-se teto e o escarlate no chão ficava mais intenso, como se o próprio dançasse entre os paralelepípedos.
O corredor fora clareando após minutos de escuridão, por velas fincadas à parede. Um numero irreal de velas que pareciam queimar eternamente, não importa o quanto pingassem. Foram postas cuidadosamente à parede para que não caíssem, e que não pingassem uma sobre a chama das outras. E a partir do ponto onde as velas estavam, o vermelho do chão era explicado. Há um pequeno fluxo de sangue no chão, afogando os paralelepípedos após o inicio das velas. Decidiu seguir em frente de novo, considerando que atrás dele havia apenas trevas e solidão. Não que luz e sangue fosse melhor, principalmente quando o seu melhor sapato está prestes a ser banhado por sangue, mas em frente havia uma saída, enquanto as suas costas havia apenas o caminho que o levaria de volta para aquele lugar.
Ao final do corredor havia apenas uma porta de madeira. O sangue claramente vinha por baixo dela. E o que passava junto com o sangue era uma sensação ruim e uma presença. Juntou suas forças e recobrou a energia que fora exaurida ao longo de sua caminhada.
-Seja lá quem for você, me colocou aqui. O que me espera depois dessa porta?
-Entre e encontrará a salvação, se assim deseja. Se está procurando outra coisa, dê meia volta e continue sua melancólica existência.- A voz era frágil, mas firme, como um orgulhoso guerreiro que fora deixado para trás no campo de batalha para morrer em meio aos que já o fizeram.
-Há outra opção?- A resposta não veio. Uma última vez, tentou voltar ao plano físico, para garantir que tentou de tudo, mas algo entre seu cansaço, sapatos manchados, luz lúgubre das velas e o tom daquela voz não o permitiu. Juntou sua coragem e abriu a porta.
Parte #III
Venho aqui hoje trazer-vos a segunda parte do conto do sábado a noite, pra quem não se lembra aqui está a parte #1. Uma boa leitura a todos.
Passar para o plano astral não era de fato tão ruim. Para alguém cujo o corpo físico e energético se misturam era especialmente perigoso, mas a sensação é maravilhosa. O corpo fica leve, a fome deixa de existir, os sentidos se aguçam e você passa a ser o que você pensa. A imaginação é um dos limites. Porem funcionava como uma noite regada a bebida, pois a noite é ótima, mas o dia seguinte é aquele que não se vive, mas sobrevive, e quase sempre não vale a pena.
Se estabilizou no plano astral, em uma encruzilhada como aquela primeira, mas o lugar era diferente. As casas com suas fachadas históricas estavam em cacos, algumas sem o segundo andar, outras apenas com buracos. Os postes não tinham luz e as luzes do céu não existiam naquele plano. Entre os costumeiros paralelepípedos tinham detalhes escarlates, como se o chão sob o pavimento fosse feito de rubi.
Algo o incomoda. O lugar é conhecido. Um lugar onde pessoas com um mesmo vicio ou tara eram encaminhados para ficar até desejarem voltar a evoluir. Mas o local estava vazio, eles não são conhecidos por sua incrível capacidade de ventilação, mas sim pelo crescente número de pessoas atreladas aos mesmos erros ao longo da própria existência. Lugares como aquele não são reaproveitados, apenas se criam mais para os novos tipos de erros.
Depois de cinco mil passos naquele lugar, noções de tempo e espaço como conhecemos no plano físico não se aplica ao mundo da energia, e o cansaço ganhou da impaciência do sublinder. Ganhou também um pouco de preocupação. Ficar muito tempo em um lugar daquela estirpe poderia deixa-lo ali para sempre. Precisava encontrar o quer que o estivesse prendendo ali. O chão continuava como sempre, paralelepípedos sobre tom escarlate, mas as casas foram sumindo gradativamente, e começaram a aparecer grandes pilares negros, logo o céu sem estrelas tornara-se teto e o escarlate no chão ficava mais intenso, como se o próprio dançasse entre os paralelepípedos.
O corredor fora clareando após minutos de escuridão, por velas fincadas à parede. Um numero irreal de velas que pareciam queimar eternamente, não importa o quanto pingassem. Foram postas cuidadosamente à parede para que não caíssem, e que não pingassem uma sobre a chama das outras. E a partir do ponto onde as velas estavam, o vermelho do chão era explicado. Há um pequeno fluxo de sangue no chão, afogando os paralelepípedos após o inicio das velas. Decidiu seguir em frente de novo, considerando que atrás dele havia apenas trevas e solidão. Não que luz e sangue fosse melhor, principalmente quando o seu melhor sapato está prestes a ser banhado por sangue, mas em frente havia uma saída, enquanto as suas costas havia apenas o caminho que o levaria de volta para aquele lugar.
Ao final do corredor havia apenas uma porta de madeira. O sangue claramente vinha por baixo dela. E o que passava junto com o sangue era uma sensação ruim e uma presença. Juntou suas forças e recobrou a energia que fora exaurida ao longo de sua caminhada.
-Seja lá quem for você, me colocou aqui. O que me espera depois dessa porta?
-Entre e encontrará a salvação, se assim deseja. Se está procurando outra coisa, dê meia volta e continue sua melancólica existência.- A voz era frágil, mas firme, como um orgulhoso guerreiro que fora deixado para trás no campo de batalha para morrer em meio aos que já o fizeram.
-Há outra opção?- A resposta não veio. Uma última vez, tentou voltar ao plano físico, para garantir que tentou de tudo, mas algo entre seu cansaço, sapatos manchados, luz lúgubre das velas e o tom daquela voz não o permitiu. Juntou sua coragem e abriu a porta.
Parte #III
13 de fevereiro de 2014
Eventos dum sábado a noite - Parte #1
Olá,
se para você todo sábado a noite é diferente, uma nova história, um novo amor, um bom brinde e uma boa conversa, que tal ouvir falar de algo estranho, dessas coisas realmente estranhas que não acontecem sextas a noite, muito menos em segundas tediosas. Não falo de situações constrangedoras, como encontrar uma ex-namorada, ou falar alguma merda muito grande em público, mas nemtapouco felizes, como encontrar um velho amigo, ou conhecer um novo, falo de coisas estranhas, com espiritos e aquele cara estiloso do bar que definitivamente não parece humano, está interessado em descobrir o que acontece? É só seguir em frente.
Capitulo 1- Apenas um sábado como todos os outros
Caminhava tranquilo pela rua, altas horas da noite, com seu melhor sapato. Couro, marrom, fino, bem trabalhado, durável, confortável e o mais importante para um bom sapato. Era confiável. Usava seu terno Inglês, a calça justa não é o que se chama de confortável por essas bandas, mas seu caimento duplo dá um charme que Count considerava indispensável, ao se sentar, fora que seus bolsos tipo flap o ajudavam bastante a levar seus pertences.
Foi uma noite como todas as de sábado a noite. Vestiu-se com primor característico e foi andando por entre os bares e esquinas de seu bairro. Um bom bairro, diga-se de passagem, as casas que possui são numerosas e havia uma atmosfera de nostalgia por aquelas ruas de paralelepípedos e fachadas de casas que não podem ser mudadas, para preservar a história, o legado e essa incrível atmosfera.
Com suas conversas e sorrisos fáceis começou a noite, em um pequeno bar, não muito longe de casa, sentou-se em frente à bancada, e pediu um chope gelado. Para si e para o resto das pessoas da bancada, o que se limitava ao dono do estabelecimento, com seu bigode grisalho, avental e pia suja, e um outro senhor, aparentemente fã de futebol, com sua blusa com o escudo do time e ambos ouviam atentos ao jogo de futebol. Propôs um brinde e bebeu em uma golada. Não era o melhor lugar para encontrar garotas, oportunidades ou qualquer coisa com menos de 50 anos, mas de fato era o melhor chope das redondezas.
O resto da noite fora realmente dentro dos padrões, não ficou louco, pagou algumas bebidas outras deixou que lhe pagassem, encontrou alguns conhecidos, e adicionou alguns nomes a essa lista. Pegou alguns números de telefone, sorrisos e beijos. Não levou nenhuma delas para casa, pois quando se é um sublinder, todo sábado a noite pode se transformar em uma aventura.
Não que seja seguro para qualquer um andar por ai em um bairro as 4 da manhã. A diferença é o que ameaça. Pessoas normais precisam se preocupar com tarados de fim de noite, vômitos de vergonha e amores despedaçados em prantos pelas esquinas. Ah. E ladrões, e mendigos loucos também, mas vivendo em uma cidade normal, tais coisas se tornam cotidianas e não mais de uso exclusivo das madrugadas. Porém quando se é um sublinder, as percepções fiam aguçadas. Espíritos vagueiam pela escuridão. Eles vagueiam a luz do dia também, mas se tornam mais sociáveis devido a atmosfera boemia que um bom sábado a noite proporciona, logo poem-se a trabalhar. E quando trabalham precisam de algo para recarregar as energias.
Normalmente quando espíritos precisam trabalhar, são feitos os pedidos e as oferendas, para que ele faça o que for necessário sem se desgastar. Mas quando não existem tais oferendas para eles, eles vão em busca de alguém para fazer as trocas energéticas e voltarem a sua boa forma. Sim, é a ordem natural do universo, mas o problema é quando os espíritos decidem fazer trabalhos por si mesmos e se fazem necessário recarregar pela rua.
E bem, isso pode acontecer com qualquer um na verdade, as consequências são inúmeras, algumas pessoas quando exauridas, procuram energia em outras através de relações sexuais, outras quando expostas a tal tipo de comportamento energético embrulham seus estômagos como em modo de defesa e o refluxo torna-se irremediável, mas o pior de todos é de fato quando resolvem alimentar o espirito de vez e botam todas as suas mágoas para fora. E bem, sem orientação essas pessoas que só queriam curtir sua noitada sabatina, acabam com seus planos por água abaixo e uma ressaca moral inigualável no dia seguinte.
Mas para os sublinders, a coisa é diferente. Eles são sensíveis aos seus campos magnéticos, conseguem sentir se algo os faz mal, e isso os exaure ao máximo, pessoas que parecem fortes e bem, se abaladas em seu campo magnético, podem ter alguma hemorragia interna e não sobreviver até chegar ao hospital. Podem ter o poder de perceber tudo a sua volta, inclusive intenções. Alguns os conhecem como clarividentes, outros como ciganos, mas se retirarmos a grande camada de vigaristas dessas classes sociais, encontraremos sublinders.
E este, percebeu a tempo o que estava sendo armado. Apesar de parecer levemente não sóbrio, ele prestava atenção ao seu caminho e inevitavelmente teve de passar por uma encruzilhada. Encruzilhadas são famosas por suas capacidades energéticas entre os mundos, afinal aqueles que botaram o nome das encruzilhadas, certamente sabiam que não era só as ruas que se cruzavam.
Aquela era uma encruzilhada como todas as outras. As entidades das mais diversas formas e tamanhos realizavam seus trabalhos. Alguns bem intencionados, daquelas boas intenções que lotam o inferno. Quando se trata de caminhos cruzados, isso nunca acontece sem motivo. Fora mandado para aquele lugar.
Não soube dizer quem o enviou para aquela frequência. Quando se sai muito a noite, se conversa muito com muita gente. Quando se é fino, bonito e elegante acaba até atraindo um pouco mais de atenção do que se planeja. Digo, quando se faz isso naturalmente, quando se procura ficar bonito assim, atenção é tudo que a pessoa quer. Algumas pessoas gostam disso, outras odeiam e uma grande maioria quer foder todos que estão melhores que o próprio.
Mas algo estava fora do lugar naquela encruzilhada. Era invisível. Quando o sublinder entra em um campo energético mais hostil, as pessoas que vibram menos(com menos energia), não o enxergam, assim como ele não era capaz de ver aqueles que eram superiores a ele. E ninguém que se encontrava naquele lugar parecia enxerga-lo. Tentou sair da encruzilhada, mas existia uma barreira, como uma forte parede de tijolos.
Tentar uma comunicação era muito arriscado. A energia é algo volátil, reconhecer algo com seu pensamento podia realizar uma grande reação em cadeia, onde sua energia chega aonde você pensou e existe um contato, onde as energias são trocadas em busca de um equilíbrio, ou seja a energia dele ia para onde seu pensamento o mandasse, um lugar que nas menores frequências costuma ser sujo, onde aquele que o jogou nessa encruzilhada está.
E esperou por uma hora. Enquanto humanos com suas oferendas e objetivos entravam e saiam, entidades realizavam seus trabalhos e partiam para outro, nada, nem ninguém estava com um olhar tranquilo, uma pequena pulga atras da orelha e com o pensamento focado em fazer o que tiver de fazer o mais rápido possível e então arranjar uma desculpa para sair de lá.
Perdeu a paciência com a situação. Encurralado, sua única opção fora óbvia, seguir em frente. Juntou o ar em seus pulmões e gritou:
-Sei que está ai e que me procura! Mostre-se! - O ar de estranho passou para pesado. As pessoas começaram a sumir, a luz a se apagar. Primeiro os postes perderam a força e se apagaram, e então as estrelas e a lua se apagaram como se fosse chover. E então de corpo e tudo, o sublinder atravessou completamente o plano físico.
se para você todo sábado a noite é diferente, uma nova história, um novo amor, um bom brinde e uma boa conversa, que tal ouvir falar de algo estranho, dessas coisas realmente estranhas que não acontecem sextas a noite, muito menos em segundas tediosas. Não falo de situações constrangedoras, como encontrar uma ex-namorada, ou falar alguma merda muito grande em público, mas nemtapouco felizes, como encontrar um velho amigo, ou conhecer um novo, falo de coisas estranhas, com espiritos e aquele cara estiloso do bar que definitivamente não parece humano, está interessado em descobrir o que acontece? É só seguir em frente.
Capitulo 1- Apenas um sábado como todos os outros
Caminhava tranquilo pela rua, altas horas da noite, com seu melhor sapato. Couro, marrom, fino, bem trabalhado, durável, confortável e o mais importante para um bom sapato. Era confiável. Usava seu terno Inglês, a calça justa não é o que se chama de confortável por essas bandas, mas seu caimento duplo dá um charme que Count considerava indispensável, ao se sentar, fora que seus bolsos tipo flap o ajudavam bastante a levar seus pertences.
Foi uma noite como todas as de sábado a noite. Vestiu-se com primor característico e foi andando por entre os bares e esquinas de seu bairro. Um bom bairro, diga-se de passagem, as casas que possui são numerosas e havia uma atmosfera de nostalgia por aquelas ruas de paralelepípedos e fachadas de casas que não podem ser mudadas, para preservar a história, o legado e essa incrível atmosfera.
Com suas conversas e sorrisos fáceis começou a noite, em um pequeno bar, não muito longe de casa, sentou-se em frente à bancada, e pediu um chope gelado. Para si e para o resto das pessoas da bancada, o que se limitava ao dono do estabelecimento, com seu bigode grisalho, avental e pia suja, e um outro senhor, aparentemente fã de futebol, com sua blusa com o escudo do time e ambos ouviam atentos ao jogo de futebol. Propôs um brinde e bebeu em uma golada. Não era o melhor lugar para encontrar garotas, oportunidades ou qualquer coisa com menos de 50 anos, mas de fato era o melhor chope das redondezas.
O resto da noite fora realmente dentro dos padrões, não ficou louco, pagou algumas bebidas outras deixou que lhe pagassem, encontrou alguns conhecidos, e adicionou alguns nomes a essa lista. Pegou alguns números de telefone, sorrisos e beijos. Não levou nenhuma delas para casa, pois quando se é um sublinder, todo sábado a noite pode se transformar em uma aventura.
Não que seja seguro para qualquer um andar por ai em um bairro as 4 da manhã. A diferença é o que ameaça. Pessoas normais precisam se preocupar com tarados de fim de noite, vômitos de vergonha e amores despedaçados em prantos pelas esquinas. Ah. E ladrões, e mendigos loucos também, mas vivendo em uma cidade normal, tais coisas se tornam cotidianas e não mais de uso exclusivo das madrugadas. Porém quando se é um sublinder, as percepções fiam aguçadas. Espíritos vagueiam pela escuridão. Eles vagueiam a luz do dia também, mas se tornam mais sociáveis devido a atmosfera boemia que um bom sábado a noite proporciona, logo poem-se a trabalhar. E quando trabalham precisam de algo para recarregar as energias.
Normalmente quando espíritos precisam trabalhar, são feitos os pedidos e as oferendas, para que ele faça o que for necessário sem se desgastar. Mas quando não existem tais oferendas para eles, eles vão em busca de alguém para fazer as trocas energéticas e voltarem a sua boa forma. Sim, é a ordem natural do universo, mas o problema é quando os espíritos decidem fazer trabalhos por si mesmos e se fazem necessário recarregar pela rua.
E bem, isso pode acontecer com qualquer um na verdade, as consequências são inúmeras, algumas pessoas quando exauridas, procuram energia em outras através de relações sexuais, outras quando expostas a tal tipo de comportamento energético embrulham seus estômagos como em modo de defesa e o refluxo torna-se irremediável, mas o pior de todos é de fato quando resolvem alimentar o espirito de vez e botam todas as suas mágoas para fora. E bem, sem orientação essas pessoas que só queriam curtir sua noitada sabatina, acabam com seus planos por água abaixo e uma ressaca moral inigualável no dia seguinte.
Mas para os sublinders, a coisa é diferente. Eles são sensíveis aos seus campos magnéticos, conseguem sentir se algo os faz mal, e isso os exaure ao máximo, pessoas que parecem fortes e bem, se abaladas em seu campo magnético, podem ter alguma hemorragia interna e não sobreviver até chegar ao hospital. Podem ter o poder de perceber tudo a sua volta, inclusive intenções. Alguns os conhecem como clarividentes, outros como ciganos, mas se retirarmos a grande camada de vigaristas dessas classes sociais, encontraremos sublinders.
E este, percebeu a tempo o que estava sendo armado. Apesar de parecer levemente não sóbrio, ele prestava atenção ao seu caminho e inevitavelmente teve de passar por uma encruzilhada. Encruzilhadas são famosas por suas capacidades energéticas entre os mundos, afinal aqueles que botaram o nome das encruzilhadas, certamente sabiam que não era só as ruas que se cruzavam.
Aquela era uma encruzilhada como todas as outras. As entidades das mais diversas formas e tamanhos realizavam seus trabalhos. Alguns bem intencionados, daquelas boas intenções que lotam o inferno. Quando se trata de caminhos cruzados, isso nunca acontece sem motivo. Fora mandado para aquele lugar.
Não soube dizer quem o enviou para aquela frequência. Quando se sai muito a noite, se conversa muito com muita gente. Quando se é fino, bonito e elegante acaba até atraindo um pouco mais de atenção do que se planeja. Digo, quando se faz isso naturalmente, quando se procura ficar bonito assim, atenção é tudo que a pessoa quer. Algumas pessoas gostam disso, outras odeiam e uma grande maioria quer foder todos que estão melhores que o próprio.
Mas algo estava fora do lugar naquela encruzilhada. Era invisível. Quando o sublinder entra em um campo energético mais hostil, as pessoas que vibram menos(com menos energia), não o enxergam, assim como ele não era capaz de ver aqueles que eram superiores a ele. E ninguém que se encontrava naquele lugar parecia enxerga-lo. Tentou sair da encruzilhada, mas existia uma barreira, como uma forte parede de tijolos.
Tentar uma comunicação era muito arriscado. A energia é algo volátil, reconhecer algo com seu pensamento podia realizar uma grande reação em cadeia, onde sua energia chega aonde você pensou e existe um contato, onde as energias são trocadas em busca de um equilíbrio, ou seja a energia dele ia para onde seu pensamento o mandasse, um lugar que nas menores frequências costuma ser sujo, onde aquele que o jogou nessa encruzilhada está.
E esperou por uma hora. Enquanto humanos com suas oferendas e objetivos entravam e saiam, entidades realizavam seus trabalhos e partiam para outro, nada, nem ninguém estava com um olhar tranquilo, uma pequena pulga atras da orelha e com o pensamento focado em fazer o que tiver de fazer o mais rápido possível e então arranjar uma desculpa para sair de lá.
Perdeu a paciência com a situação. Encurralado, sua única opção fora óbvia, seguir em frente. Juntou o ar em seus pulmões e gritou:
-Sei que está ai e que me procura! Mostre-se! - O ar de estranho passou para pesado. As pessoas começaram a sumir, a luz a se apagar. Primeiro os postes perderam a força e se apagaram, e então as estrelas e a lua se apagaram como se fosse chover. E então de corpo e tudo, o sublinder atravessou completamente o plano físico.
5 de dezembro de 2013
The Samson's Adventure #1
Olá Leitores,
Venho trazer esta humilde história a qual escrevo. Ela será dividida em partes, com um começo conturbado Samson se vê em uma situação um tanto quanto dramática e precisa se aliar a uma espada falante para sair vivo. Sem saber como nem porque, o dia que era pra ser mais um se tornou especial, para o bem e para o mal. Aproveite a Leitura
Venho trazer esta humilde história a qual escrevo. Ela será dividida em partes, com um começo conturbado Samson se vê em uma situação um tanto quanto dramática e precisa se aliar a uma espada falante para sair vivo. Sem saber como nem porque, o dia que era pra ser mais um se tornou especial, para o bem e para o mal. Aproveite a Leitura
3 de junho de 2013
Storyboard #1
Boa tarde Colaboradores,
a seção storyboard em nossa empresa representa algumas proposições de storyboards que podem se transformar em futuros contos completos, ou jogos.
a seção storyboard em nossa empresa representa algumas proposições de storyboards que podem se transformar em futuros contos completos, ou jogos.
Att,
Mr Juventude
Gamer Chief Executive Office
O mundo girava, o corpo estava dolorido. As pálpebras estavam pesadas. Abrir os olhos tornara-se uma missão impossível para ele. Embora lhe faltasse a visão o tato e o olfato não lhe falhavam. Estava deitado, apoiado sobre algo aspero. O cheiro era de fumaça, mas não sabia dizer o que estava queimando apesar de lhe ser estranhamente familiar.
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