se para você todo sábado a noite é diferente, uma nova história, um novo amor, um bom brinde e uma boa conversa, que tal ouvir falar de algo estranho, dessas coisas realmente estranhas que não acontecem sextas a noite, muito menos em segundas tediosas. Não falo de situações constrangedoras, como encontrar uma ex-namorada, ou falar alguma merda muito grande em público, mas nemtapouco felizes, como encontrar um velho amigo, ou conhecer um novo, falo de coisas estranhas, com espiritos e aquele cara estiloso do bar que definitivamente não parece humano, está interessado em descobrir o que acontece? É só seguir em frente.
Capitulo 1- Apenas um sábado como todos os outros
Caminhava tranquilo pela rua, altas horas da noite, com seu melhor sapato. Couro, marrom, fino, bem trabalhado, durável, confortável e o mais importante para um bom sapato. Era confiável. Usava seu terno Inglês, a calça justa não é o que se chama de confortável por essas bandas, mas seu caimento duplo dá um charme que Count considerava indispensável, ao se sentar, fora que seus bolsos tipo flap o ajudavam bastante a levar seus pertences.
Foi uma noite como todas as de sábado a noite. Vestiu-se com primor característico e foi andando por entre os bares e esquinas de seu bairro. Um bom bairro, diga-se de passagem, as casas que possui são numerosas e havia uma atmosfera de nostalgia por aquelas ruas de paralelepípedos e fachadas de casas que não podem ser mudadas, para preservar a história, o legado e essa incrível atmosfera.
Com suas conversas e sorrisos fáceis começou a noite, em um pequeno bar, não muito longe de casa, sentou-se em frente à bancada, e pediu um chope gelado. Para si e para o resto das pessoas da bancada, o que se limitava ao dono do estabelecimento, com seu bigode grisalho, avental e pia suja, e um outro senhor, aparentemente fã de futebol, com sua blusa com o escudo do time e ambos ouviam atentos ao jogo de futebol. Propôs um brinde e bebeu em uma golada. Não era o melhor lugar para encontrar garotas, oportunidades ou qualquer coisa com menos de 50 anos, mas de fato era o melhor chope das redondezas.
O resto da noite fora realmente dentro dos padrões, não ficou louco, pagou algumas bebidas outras deixou que lhe pagassem, encontrou alguns conhecidos, e adicionou alguns nomes a essa lista. Pegou alguns números de telefone, sorrisos e beijos. Não levou nenhuma delas para casa, pois quando se é um sublinder, todo sábado a noite pode se transformar em uma aventura.
Não que seja seguro para qualquer um andar por ai em um bairro as 4 da manhã. A diferença é o que ameaça. Pessoas normais precisam se preocupar com tarados de fim de noite, vômitos de vergonha e amores despedaçados em prantos pelas esquinas. Ah. E ladrões, e mendigos loucos também, mas vivendo em uma cidade normal, tais coisas se tornam cotidianas e não mais de uso exclusivo das madrugadas. Porém quando se é um sublinder, as percepções fiam aguçadas. Espíritos vagueiam pela escuridão. Eles vagueiam a luz do dia também, mas se tornam mais sociáveis devido a atmosfera boemia que um bom sábado a noite proporciona, logo poem-se a trabalhar. E quando trabalham precisam de algo para recarregar as energias.
Normalmente quando espíritos precisam trabalhar, são feitos os pedidos e as oferendas, para que ele faça o que for necessário sem se desgastar. Mas quando não existem tais oferendas para eles, eles vão em busca de alguém para fazer as trocas energéticas e voltarem a sua boa forma. Sim, é a ordem natural do universo, mas o problema é quando os espíritos decidem fazer trabalhos por si mesmos e se fazem necessário recarregar pela rua.
E bem, isso pode acontecer com qualquer um na verdade, as consequências são inúmeras, algumas pessoas quando exauridas, procuram energia em outras através de relações sexuais, outras quando expostas a tal tipo de comportamento energético embrulham seus estômagos como em modo de defesa e o refluxo torna-se irremediável, mas o pior de todos é de fato quando resolvem alimentar o espirito de vez e botam todas as suas mágoas para fora. E bem, sem orientação essas pessoas que só queriam curtir sua noitada sabatina, acabam com seus planos por água abaixo e uma ressaca moral inigualável no dia seguinte.
Mas para os sublinders, a coisa é diferente. Eles são sensíveis aos seus campos magnéticos, conseguem sentir se algo os faz mal, e isso os exaure ao máximo, pessoas que parecem fortes e bem, se abaladas em seu campo magnético, podem ter alguma hemorragia interna e não sobreviver até chegar ao hospital. Podem ter o poder de perceber tudo a sua volta, inclusive intenções. Alguns os conhecem como clarividentes, outros como ciganos, mas se retirarmos a grande camada de vigaristas dessas classes sociais, encontraremos sublinders.
E este, percebeu a tempo o que estava sendo armado. Apesar de parecer levemente não sóbrio, ele prestava atenção ao seu caminho e inevitavelmente teve de passar por uma encruzilhada. Encruzilhadas são famosas por suas capacidades energéticas entre os mundos, afinal aqueles que botaram o nome das encruzilhadas, certamente sabiam que não era só as ruas que se cruzavam.
Aquela era uma encruzilhada como todas as outras. As entidades das mais diversas formas e tamanhos realizavam seus trabalhos. Alguns bem intencionados, daquelas boas intenções que lotam o inferno. Quando se trata de caminhos cruzados, isso nunca acontece sem motivo. Fora mandado para aquele lugar.
Não soube dizer quem o enviou para aquela frequência. Quando se sai muito a noite, se conversa muito com muita gente. Quando se é fino, bonito e elegante acaba até atraindo um pouco mais de atenção do que se planeja. Digo, quando se faz isso naturalmente, quando se procura ficar bonito assim, atenção é tudo que a pessoa quer. Algumas pessoas gostam disso, outras odeiam e uma grande maioria quer foder todos que estão melhores que o próprio.
Mas algo estava fora do lugar naquela encruzilhada. Era invisível. Quando o sublinder entra em um campo energético mais hostil, as pessoas que vibram menos(com menos energia), não o enxergam, assim como ele não era capaz de ver aqueles que eram superiores a ele. E ninguém que se encontrava naquele lugar parecia enxerga-lo. Tentou sair da encruzilhada, mas existia uma barreira, como uma forte parede de tijolos.
Tentar uma comunicação era muito arriscado. A energia é algo volátil, reconhecer algo com seu pensamento podia realizar uma grande reação em cadeia, onde sua energia chega aonde você pensou e existe um contato, onde as energias são trocadas em busca de um equilíbrio, ou seja a energia dele ia para onde seu pensamento o mandasse, um lugar que nas menores frequências costuma ser sujo, onde aquele que o jogou nessa encruzilhada está.
E esperou por uma hora. Enquanto humanos com suas oferendas e objetivos entravam e saiam, entidades realizavam seus trabalhos e partiam para outro, nada, nem ninguém estava com um olhar tranquilo, uma pequena pulga atras da orelha e com o pensamento focado em fazer o que tiver de fazer o mais rápido possível e então arranjar uma desculpa para sair de lá.
Perdeu a paciência com a situação. Encurralado, sua única opção fora óbvia, seguir em frente. Juntou o ar em seus pulmões e gritou:
-Sei que está ai e que me procura! Mostre-se! - O ar de estranho passou para pesado. As pessoas começaram a sumir, a luz a se apagar. Primeiro os postes perderam a força e se apagaram, e então as estrelas e a lua se apagaram como se fosse chover. E então de corpo e tudo, o sublinder atravessou completamente o plano físico.
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