a seção storyboard em nossa empresa representa algumas proposições de storyboards que podem se transformar em futuros contos completos, ou jogos.
Att,
Mr Juventude
Gamer Chief Executive Office
O mundo girava, o corpo estava dolorido. As pálpebras estavam pesadas. Abrir os olhos tornara-se uma missão impossível para ele. Embora lhe faltasse a visão o tato e o olfato não lhe falhavam. Estava deitado, apoiado sobre algo aspero. O cheiro era de fumaça, mas não sabia dizer o que estava queimando apesar de lhe ser estranhamente familiar.
- Onde estou? Alguém pode me ouvir? - Perguntou, sem saber se realmente tinha alguém lá. Sem respostas verbais, algo o segurou pela cintura e o pôs de pé, enrolou algo em volta de seus tornozelos e calcanhares e o empurrou. Descobriu que conseguia andar. Seja lá para onde o estavam empurrando.
- Olá, faz tempo que não nos vemos - Uma voz feminina começou a falar em seu ouvido. Um tom de voz fino e suave como um vinho doce que escorre em uma garganta sedenta. - Mas você não está me vendo. O que houve? Abra os olhos.
E então ele abriu. A cena que ele viu certamente não foi agradável. Um cadafalso montado a sua frente, algumas pessoas em fila vestidas de branco semi conscientes, da mesma forma que ele parecia no momento anterior. Corpos pendiam do cadafalso e atras do cadafalso havia uma fogueira com os cadáveres recém enforcados. Seja lá o crime cometido, a regra parecia ser simples. Genocídio.
Porem não encontrou a mulher. Voz tão doce não parecia sair daquele lugar, mesmo que em seu tom de voz parecesse ter algum tipo de acidez que toda mulher tem. virou o pescoço para um lado, virou para o outro. Só via grandes homens vestidos de branco realizando a matança naquele lugar estranho. Virou seu rosto em direção ao chão. Branco e polido. Porcelanato de boa qualidade, podia afirmar. Algo estranho para se pensar quando se vai em direção a morte.
A idéia de morrer não lhe parecia ruim, já que não sabia nem o por quê de estar ali. É como se sua vida toda fosse um pequeno comercial de um desses canais de música. Mais uma coisa estranha para se pensar. Música. Começou a prestar atenção na batida dos seus pés junto aos passos alheios e o dançar das chamas. E saindo de lá vinha uma mulher. Ruiva, seios não tão grandes quanto em um desenho japonês, mas num bom tamanho. Não saberia dizer se eram de verdade daquela distancia, e um olhar vazio.
-Então finalmente me vê. Cumpriu bem sua parte do acordo. - Disse a mulher, com sua voz melodiosa, que saia do nada. - Mas sua missão ainda não terminou. Precisa me conceder uma dança. - Quando disse isso, o homem se sentiu liberto, flutuando e em êxtase. Uma sensação maravilhosa que ele julgava apenas possivel em sonhos ou chocolate. As batidas, as danças e as vozes tomaram forma, melodia, métrica e ritmo.
Pegou a cintura daquela mulher que surgira. Era fria como gelo, sua mão grudara ao vestido vermelho dela devido ao frio e começaram a dançar. Fluía com naturalidade, como se tivesse dançado aquela musica durante todos os segundos que comporão sua ignóbil vida. Era um tango, dançavam, brigavam e se reconciliavam com os pés. Movimentos rápidos, arte e sedução. O calor se instaurava no ambiente.
Passos rápidos, tentativas frustradas de reconciliação, meias-voltas e o calor subia. A mulher que saiu das chamas no inicio tinha uma pele fria e uma respiração penosa, agora era mais bela, quente e viva do que antes.
Ao fim da música ela se aproximou ao ouvido do homem e disse:
- Agora que tive minha ultima dança é hora de lhe pagar o que devo. - E botou sua boca sobre a dele. Era como se estivesse sugando algo de dentro dela. O fogo gerado pela dança se esvaia do ambiente e ia para ele. Se lembrou de quem era, do que fez, o porque fez e o que estava acontecendo. Deu-se por satisfeito, voltou as suas dores mundanas e como se nada tivesse acontecido, foi enforcado junto com sua horda de cadáveres.
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