Oi galera!
Venho aqui hoje trazer-vos a segunda parte do conto do sábado a noite, pra quem não se lembra aqui está a parte #1. Uma boa leitura a todos.
Passar para o plano astral não era de fato tão ruim. Para alguém cujo o corpo físico e energético se misturam era especialmente perigoso, mas a sensação é maravilhosa. O corpo fica leve, a fome deixa de existir, os sentidos se aguçam e você passa a ser o que você pensa. A imaginação é um dos limites. Porem funcionava como uma noite regada a bebida, pois a noite é ótima, mas o dia seguinte é aquele que não se vive, mas sobrevive, e quase sempre não vale a pena.
Se estabilizou no plano astral, em uma encruzilhada como aquela primeira, mas o lugar era diferente. As casas com suas fachadas históricas estavam em cacos, algumas sem o segundo andar, outras apenas com buracos. Os postes não tinham luz e as luzes do céu não existiam naquele plano. Entre os costumeiros paralelepípedos tinham detalhes escarlates, como se o chão sob o pavimento fosse feito de rubi.
Algo o incomoda. O lugar é conhecido. Um lugar onde pessoas com um mesmo vicio ou tara eram encaminhados para ficar até desejarem voltar a evoluir. Mas o local estava vazio, eles não são conhecidos por sua incrível capacidade de ventilação, mas sim pelo crescente número de pessoas atreladas aos mesmos erros ao longo da própria existência. Lugares como aquele não são reaproveitados, apenas se criam mais para os novos tipos de erros.
Depois de cinco mil passos naquele lugar, noções de tempo e espaço como conhecemos no plano físico não se aplica ao mundo da energia, e o cansaço ganhou da impaciência do sublinder. Ganhou também um pouco de preocupação. Ficar muito tempo em um lugar daquela estirpe poderia deixa-lo ali para sempre. Precisava encontrar o quer que o estivesse prendendo ali. O chão continuava como sempre, paralelepípedos sobre tom escarlate, mas as casas foram sumindo gradativamente, e começaram a aparecer grandes pilares negros, logo o céu sem estrelas tornara-se teto e o escarlate no chão ficava mais intenso, como se o próprio dançasse entre os paralelepípedos.
O corredor fora clareando após minutos de escuridão, por velas fincadas à parede. Um numero irreal de velas que pareciam queimar eternamente, não importa o quanto pingassem. Foram postas cuidadosamente à parede para que não caíssem, e que não pingassem uma sobre a chama das outras. E a partir do ponto onde as velas estavam, o vermelho do chão era explicado. Há um pequeno fluxo de sangue no chão, afogando os paralelepípedos após o inicio das velas. Decidiu seguir em frente de novo, considerando que atrás dele havia apenas trevas e solidão. Não que luz e sangue fosse melhor, principalmente quando o seu melhor sapato está prestes a ser banhado por sangue, mas em frente havia uma saída, enquanto as suas costas havia apenas o caminho que o levaria de volta para aquele lugar.
Ao final do corredor havia apenas uma porta de madeira. O sangue claramente vinha por baixo dela. E o que passava junto com o sangue era uma sensação ruim e uma presença. Juntou suas forças e recobrou a energia que fora exaurida ao longo de sua caminhada.
-Seja lá quem for você, me colocou aqui. O que me espera depois dessa porta?
-Entre e encontrará a salvação, se assim deseja. Se está procurando outra coisa, dê meia volta e continue sua melancólica existência.- A voz era frágil, mas firme, como um orgulhoso guerreiro que fora deixado para trás no campo de batalha para morrer em meio aos que já o fizeram.
-Há outra opção?- A resposta não veio. Uma última vez, tentou voltar ao plano físico, para garantir que tentou de tudo, mas algo entre seu cansaço, sapatos manchados, luz lúgubre das velas e o tom daquela voz não o permitiu. Juntou sua coragem e abriu a porta.
Parte #III
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