19 de dezembro de 2013

Uma resenha manchada de vinho

Charles Bukowski, é um nome de peso entre pessoas da minha idade. Geralmente jovens. Estou em mãos de um de seus, não um dos livros como propriamente dito, mas sim uma coletânea de pequenos contos, histórias e conselhos chamado, pedaços de um caderno manchado de vinho, que como todas as histórias de sacanagem dele estão manchadas com uma ou sete, pitad... garrafas de destilados diversos.
Se quiser uma pequena resenha desta talvez não grande, mas peculiar conjunto de obras, é só prosseguir com a leitura.

Serei sincero neste texto, coisa que não faço com frequência, há muito não escrevo uma resenha literária, se é que já escrevi uma boa. O livro pedaços de um caderno manchado de vinho, são em geral histórias, algumas boas, algumas ruins e outras péssimas. São como um monte de merda.

Não, não confunda as coisas. Não é só porque alguém chama algo de um monte de merda que queira dizer que ela é ruim. Os gostos diferem e o problema do texto é que falta a entonação da voz dar formato mais contundente ao sentido do texto, e isso, meus caros amigos, Charles Bukowski faz com maestria.

Não sei se vocês gostam de conversar enquanto sóbrios com pessoas bêbadas. Ou mesmo bêbado, com outros bêbados, vai ver seus amigos não são tão interessantes assim, ou já te contaram todas as histórias boas ou realmente não tem boas histórias. Ou só querem trepar com você, a vida tem dessas coisas.

Mas ler os contos de Charles é como conversar com alguem que tem boas histórias para contar. Não histórias bonitas, como em romances e contos de fada e nem nada fantasioso demais como em ficção ou dramas policiais. É direto, é divertido e é interessante. Adoraria dizer que a forma como ele escreve é crua, mas estaria mentindo, pois se fosse fácil assim, eu adoraria escrever da mesma forma que ele.

O que mais me admira em toda a extensão desse livro, é como o que te prende não é a história, mas sim como ela é contada. Diversas vezes enquanto minha sagrada leitura ao meio de transporte publico, eu me perguntava: Ó CÉUS QUE HISTÓRIA RUIM, PORQUE NÃO PULO PARA A PRÓXIMA? Batia meus olhos nas palavras e continuava a ler. Não é como nos textos de Cindy Dafolvo (diskchocolate, adoro os textos dela. Valem a visita :3) onde tudo ocorre como uma conversa. Sim, ambos cativam interesse ao leitor, mas ao final a resposta é diferente.

Em consequências a uma longa carta de Rejeição temos um texto estranho, sim um texto que te leva, mas é um texto estranho, com uma história realmente estranha, não sei se foi porque foi o primeiro texto dele que li, mas as coisas as vezes se moviam muito rápido e as vezes muito devagar. Mas ao final do texto, quando rola o plot twist, você pensa: Hahaha. E acreditem, toda a cena criada, vale a pena pela risada final.

Nas não poucas, notas de um velho safado, vemos histórias, pequenos relatos de um velho. E bem, ele é safado. São rápidas e divertidas, as vezes levadas pelo jeito confuso de definir a paisagem, mas sempre recheadas de sacanagens e com algumas daquelas frases que você já deve ter visto em imagens do facebook.

Existem histórias aonde ele conta um pouco de sacanagem, em outras ele fica bêbado e em quase todas elas ele costuma falar mal das pessoas que o procuram, ou que escrevem. Em algumas elçe fala até sobre as corridas de cavalo. É um livro incrível, se você gostar de ler, ou de ler sacanagem, ou de ler gente se fudendo. Nos dois sentidos.


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